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iPhone - O mico ficou com a concorrência

 
 
26/07/07  - iPhone - O mico ficou com a concorrência
 
Professor Marcelo Peruzzo - professor FGV e palestrante - falecom@ip2mkt.com.br

A tecnologia é algo que surpreende a todos e, ao mesmo tempo, dá margem para questionamentos acerca da real utilidade de centenas de funções e características apresentadas em novos produtos e serviços. O iPhone, da Apple, não é exceção.

Na edição 2.016 (de julho de 2007), da revista Veja, consta uma reportagem sobre tecnologia, na qual é feita uma crítica dura à invenção de Steve Jobs, criador do iPhone. Primeiramente, devo deixar clara minha admiração pela coragem e qualidade de tal revista na abordagem de vários assuntos e pela contribuição dada ao Brasil em todos esses anos por meio de matérias investigativas e inovadoras. Mas peço permissão não para criticar, e sim realizar os devidos ajustes quanto ao tema citado no texto "Os micos do iPhone", anunciado pela chamada de capa "iPhone - Nunca tantos ficaram na fila por tão pouco".

No quadro a seguir, colocarei os micos sugeridos pela revista do lado esquerdo e, do lado direito, vou expor os motivos pelos quais a concorrência segura, sem dúvida nenhuma, o verdadeiro mico - após ter sido sacudida por uma enxurrada de tecnologia e estratégias de Marketing da Apple.

Os micos do iPhone (segundo a Revista Veja) versus o s micos da concorrência (segundo Marcelo Peruzzo)

Exclusividade da AT&T

Crítica: O fato de apenas a operadora americana AT&T oferecer planos para o iPhone, pelo preço inicial de 60 dólares.

Contra-ponto: Todo produto inovador é para inovadores - aqueles que pagam o preço, normalmente alto, para obtê-lo. Em Marketing, isso se chama estratégia de preço skimming rápido, aplicada com muita comunicação e preços elevados para pagar o investimento em pesquisa e desenvolvimento. Isso é mais natural do que se possa imaginar. Afinal de contas, o iPhone vai se tornar mais acessível justamente porque alguém comprou agora o produto. Firmar parceria com uma empresa do setor, criando exclusividade, é uma estratégia que demonstra genialidade. Se estivesse vinculada a todas as operadoras, a Apple seria mais uma. Mas, por sua natureza, ela é diferenciada. As pessoas não querem mais uma, elas querem o diferente. A venda de mais de 1 milhão de aparelhos significa que a AT&T é um problema? A concorrência gostaria muito desse problema.


Tudo ou nada

Crítica: Sem a habilitação da AT&T, o iPhone não funciona, nem como tocador de MP3.

Contra-ponto: O iPhone é um telefone, não um iPod. Quer escutar um MP3? Compre um iPod! Quer usar um telefone, com MP3 e qualidade Apple? Compre um iPhone! E não reclame: habilite-o, pois comprar um celular para apenas usá-lo como tocador de MP3 sugere no mínimo falta de inteligência ou excesso de dinheiro para gastar.


Dependência total

Crítica: O cartão do iPhone (SIM card) não pode ser removido, impedindo a transferência para outro celular.

Contra-ponto: O iPhone usa como sistema operacional uma versão light do MAC OS. Então, é óbvio que outro celular não entenderia os dados. Mais uma vez: hoje exclusividade é tudo que o cliente percebe como algo dele. E se alguém perder o iPhone? Pois bem, basta reaver o backup feito em seu desktop, seja ele um MAC ou um PC.


Bateria presa

Crítica: Suporta apenas de 300 a 400 recargas, o que sugere uma vida útil média de 2 anos. Para troca, o aparelho deve ser enviado pelo correio.

Contra-ponto: Na verdade, quem leu o site da Apple o leu errado. Depois de 400 recargas, a bateria ainda mantém 80% da sua capacidade original. Por conseguinte, 2 anos não é a informação correta. (E mesmo que a bateria não acabe, quem fica com um celular ou palmtop por mais de 3 anos, sem trocá-lo por um modelo mais novo?) Olhe em quanto a bateria do iPhone dá uma lavada na concorrência: 8 horas de uso ininterrupto, 6 horas de uso na internet, 7 horas de vídeo, 24 horas de música ou 250 horas em stand by. Procure um concorrente à altura! Se achar, me avise.


Internet lenta

Crítica: Para não descarregar a bateria, a Apple optou pelo serviço mais lento da AT&T.

Contra-ponto: Internet lenta? Primeiro, qualquer serviço da AT&T oferece acesso ilimitado a internet. No Brasil, temos limites de bytes em praticamente todos os planos. Segundo, ele acessa a internet pelas redes wi-fi e bluetooth 2.0; ou seja, foi preparado para ter acesso em qualquer lugar com hot-spots, como shopping centers, hotéis, lan houses, etc. Pode-se ter qualquer velocidade da web no iPhone. Quanto ao acesso Edge... Comparando o nosso com o da AT&T, que usa um canal exclusivo para web, no Brasil compartilhado com o mesmo canal de voz: se a deles é internet lenta, a nossa é internet das cavernas.


Só na telinha

Crítica: Não tem conexão com TV. Tem que ser visto na telinha do aparelho.

Contra-ponto: Essa pegou pesado! Telefone celular é móvel, para assistir à TV em movimento. Quer assistir em casa? Qualquer um sabe que a solução da Apple, a Apple TV, foi feita para isso. Aliás, qual celular do mercado tem esse recurso? E telinha não, telona. Compare o iPhone no formato widescreen com o melhor celular concorrente: banho de tecnologia!


Memória pegue ou largue

Crítica: Não permite o uso de cartões removíveis.

Contra-ponto: O iPhone tem 4 ou 8 giga, dependendo do modelo. Será que dá para o gasto sendo um telefone celular? Qual concorrente tem isso de memória interna? Outra: os cartões SD ou similares servem apenas para armazenare sua leittura, apesar de rápida, não se compara a memórua a flash drive utilizado pelo IPhone . Está memória flash drive é muito mais rápida, justamente para o uso de recursos multimídia de alta performance.


Não fale com ele

Crítica: Recurso de discagem de voz não está habilitado.

Contra-ponto: Qual foi a última vez que você usou esse recurso em seu celular? De qualquer forma, o iPhone tem microfone. Portanto, se o dito recurso realmente fizer falta, uma atualização na sincronização resolve esse supermico.


Mau funcionário

Crítica: O iPhone não tem Messenger. Não permite editar Excel.

Contra-ponto: Excel e Messenger são da Microsoft, e o iPhone é da Apple. Tipo, concorrentes de primeira linha. Se você ainda assim não se conforma, use em breve no IPhone o IChat, o comunicador da Apple que permite o cadastro de usuários do MSN. Fácil, hein?!


Sem games

Crítica: O iPhone não roda games. Afugenta o público jovem.

Contra-ponto: Para conhecimento: a Apple nunca focou seu negócio em games. Alguém compra um MAC para jogar: hoje é possível graças a instalação de Windows em máquinas MAC. A Apple é uma marca de resultado, segurança, design inovador. Mesmo assim, o iPod não tem jogos de última geração e só vendeu 110 milhões de unidades. Sabe por quê? O iPod é para ouvir música. O iPhone é um celular multimídia, não um videogame. A Nokia, na tentativa de transformar seu celular em videogame, está pagando mico até hoje. Posicionamento é estratégia pura, e jogos poderiam comprometer o lançamento do iPhone. Aliás, você viu quantos jovens estavam na fila (pouquíssimos) para comprar o iPhone (499 dólares) no dia do lançamento? Steve Jobs sabe posicionar um produto como ninguém. Em Marketing, quando você quer atender todo mundo, não atende ninguém - lição aprendida pela concorrência.


Nem Java. Nem Flash

Crítica: Eles são responsáveis por boa parte dos efeitos de som e imagem.

Contra-ponto: O iPhone está preparado para o sistema web 2.0, a nova geração de aplicativos. Quer mais o quê? Só um detalhe: ele usa Javascript sim - não sei de onde tiraram aquela informação. E o Flash? Apple e Adobe são parceiras de longa data. Portanto, pode ter certeza de que vem coisa pela frente. Ademais, pelo iPhone pode-se ver filmes direto do You Tube (único da categoria a fazer isso, graças à parceria com o Google) e usa como padrão o formato de vídeo do Flash (epa! Mais uma vez a informação que não casa).


Trazer o outro lado da moeda sempre é algo pertinente. Dessa maneira, quis mostrar que o iPhone não é uma árvore cheia de micos. Mas é assim mesmo: tudo que é novo provoca euforia, dúvidas, interpretações, hipóteses e críticas. De todo modo, Steve Jobs dá um show de Marketing. Por isso, não deveríamos perder tempo procurando erros, e sim admirando seus acertos. (Não vejo a hora de ter o meu iPhone!)



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