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A menina que roubava livros

 
 
25/07/07  - A menina que roubava livros
 
Daniela Lepinsk Romio, jornalista em Cuiabá

A II Guerra Mundial costuma ser tratada do ponto de vista das vítimas do bem ou dos alemães do mal. Os alemães não judeus e não nazistas, que também pastaram no inferno naquele período, nem sempre têm o mesmo apelo para se transformar em personagens marcantes. E é nisso que o australiano Markus Zusak mostra que é bom em contar histórias. A pequena Liesel, protagonista de "A menina que roubava livros", é encantadora. Por meio de uma história sofrida desde o começo, Markus apresenta um quadro da vida cotidiana dos alemães pobres e amedrontados de uma rua de periferia.

Eles não são maus. Eles são gente. E, mesmo no meio da miséria e do medo, Liesel descobre que precisa ler. Ela e o pai adotivo - um daqueles personagens tão gentis e perfeitos que conquistam de imediato - se empenham na tarefa de melhorar as habilidades da menina no mundo das letras. E a necessidade de Liesel é tão grande que, mesmo com fome, ela deixa de roubar comida para roubar livros, agarrando-se, sem saber, àquilo que realmente fará diferença em sua vida.

A história de Liesel é narrada pela Morte. Isso mesmo, a ceifadora. Ela também se encantou pela menina, nas vezes em que estiveram próximas ao longo da vida. E a Morte se revela uma narradora charmosa, delicada e até espirituosa. Ela também não é má - apenas cumpre ordens... Gosto de Liesel porque me reconheço um pouco em seu vício em leitura. Quando digo vício em leitura, às vezes me perguntam se não é ''literatura''. Digo que não: é leitura, mesmo. De qualquer coisa, incluindo - mas não se limitando - à literatura. Manual de instruções de celular pode servir. Para Liesel, o Manual do Coveiro é o livro de estréia.

Ela é justa, ela é brava, ela á amorosa, ela é fantástica. Não deixe de ler a história de Liesel. ''A menina que roubava livros'' foi lançado este ano e já é best-seller total - e tem excelentes razões para isso: um judeu no porão, um acordeon na madrugada, um garoto que corre com o rosto pintado de preto, um beijo negado que dói tanto, o irmãozinho que morre no trem, um livro salvo da fogueira, maçãs roubadas, um livro escrito à mão sobreposto às palavras de Hitler, uma benfeitora amargurada... é uma história das boas. A edição brasileira tem 494 páginas.

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