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Procuram-se homens que desafiam criminosos

 
 
20/07/07  - Procuram-se homens que desafiam criminosos
 
Nara Assis, estudante do 3° ano de Jornalismo no Instituto Várzea-grandense de Ensino (IVE), em Várzea Grande. E-mail: narinhal13@hotmail.com

De injustiças, o Brasil está cheio, é verdade. Quando alguém comete um crime e não é preso, nem condenado, nos causa indignação. Mas o que é inadmissível mesmo é a falta de reconhecimento e de valorização vivida por quem luta por um país melhor. Muitos juízes, padres e líderes de comunidade são ameaçados de morte por cumprir a justiça. Criminosos chegam a oferecer US$ 300 mil pela morte daqueles que ousam cruzar seus caminhos.

É o caso do juiz de Direito Odilon de Oliveira, de 56 anos, que atua em Ponta Porã, Mato Grosso do Sul, que já condenou 114 traficantes da região, em um ano. Como informa o portal de notícias Vide Versus, Odilon dorme no gabinete do Fórum onde trabalha, vigiado por sete agentes da Polícia Federal fortemente armados. “O juiz vive confinado no Fórum, só sai quando é extremamente necessário, e ainda assim sob forte escolta”, relata um trecho da matéria publicada.

Odilon de Oliveira conta que nem conhece a cidade, onde reside há um ano. A família, que mudaria para Ponta Porã, teve que continuar em Campo Grande, já que o magistrado só vai para a casa a cada 15 dias. O trabalho dele não se resume apenas às condenações, mas estende-se a bens confiscados, como 12 fazendas, três mansões, três apartamentos, três casas, dezenas de veículos, além de três aviões.

No Pará, o bispo Dom Erwin Krautler, da prelazia do Xingu, com sede em Altamira, de 67 anos, também já recebeu várias ameaças de morte. Essa perseguição é resultado de denúncias de grilagem em terras indígenas feitas pelo bispo. Dom Erwin celebrou a missa de um ano em memória da missionária americana Dorothy Stang. Durante a celebração, o religioso denunciou manobra do governo, com cumplicidade da Justiça, para encerrar as investigações do assassinato da irmã.

Além disso, Krautler denunciou abusos sexuais contra menores de idade, que envolvem pessoas da alta sociedade de Altamira. O Estado do Pará é considerado uma terra sem lei, onde os moradores contam apenas com a solidariedade de bispos e líderes que acreditam na luta contra a impunidade. Com a Justiça, porém, eles não podem contar. O bispo do Xingu, como é conhecido, também está sendo protegido por seguranças. Ele já encontrou balas de revólver no banco da igreja onde celebra as missas.

Até quando teremos quem defenda nossos direitos, se quem o faz é ameaçado de morte a cada passo que dá. Essas pessoas dão a vida por um ideal, dedicam tempo e arriscam sua segurança em favor de pessoas injustiçadas, que não encontram resposta quando recorrem à “Justiça” brasileira. É difícil decidir entre fazer justiça e apenas cumprir uma jornada de trabalho. Discursar é fácil, difícil é tomar providências. Mais difícil ainda é lidar com criminosos, que se tornam cada vez mais fortes, provando que têm as autoridades nas mãos.

Pela coragem, fé e senso de justiça, homens como esses merecem não apenas homenagens, essas são fáceis de fazer, e servem ainda de objeto de promoção. As brigas por terra, pela dignidade das crianças, por igualdade e justiça devem ganhar coro. Odilon de Oliveira e Dom Erwin Krautler são homens fortes, mas são poucos, e não têm voz na grande imprensa.

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