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A cauterização, a morte e o reencontro

 
 
05/07/07  - A cauterização, a morte e o reencontro
 
Antônio Rodrigues de Lemos Augusto, jornalista e advogado em Cuiabá-MT

Uma mulher bem simples, de algum ponto do Brasil, contou-me que a mãe dela – então com apenas 42 anos - morreu porque tinha alguma coisa no útero e precisava fazer uma cauterização. Ao fazer a cauterização, por erro do médico conforme relata, houve perfuração de órgãos. E a paciente faleceu.

A filha da vítima do erro médico era pré-adolescente à época. Ela é epiléptica. Tem também outros problemas de saúde. Atualmente, recebia um benefício da Previdência Social que exige periodicamente exames médicos. Em um desses exames, quem era o médico? O mesmo que cometeu o erro e provocou a morte da mãe.

Ela não disse nada no exame. Ele, provavelmente, nem se lembrou de nada também. Porém, ele deu um laudo que provocou o corte do benefício. Novamente vítima.

Coisas da vida. Anos após a mãe morrer em virtude da atitude do médico, a filha – também em situação de fragilidade - o reencontra. Ele tinha o poder de manter ou cortar o benefício. Ela era a submissa. No passado, a mãe dela era a submissa. Ambas perderam.

A mãe morreu em virtude de uma cauterização mal feita no útero. Pois bem, a filha também tem um mioma no útero e precisa fazer a cauterização. Não quer. Protela há oito meses. Pode ser câncer. Pode matar. Mas convencê-la de que não encontrará o mesmo médico pela frente, mesmo que com outro corpo e outro rosto, não é algo simples. Neste país, não é algo simples.

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