Antônio Lemos Augusto, jornalista e advogado em Cuiabá-MT
Tive a satisfação de assistir a homenagem a Milton Nascimento, produzida pela Rede Globo, no programa Som Brasil. A emissora, aliás, tem feito excelentes programas em homenagem a artistas da MPB. No próximo mês, homenageará Noel Rosa. Sem Noel, a MPB estaria muito aquém da qualidade atual. Só não entendo porque a emissora passa os programas de madrugada, dificultando a audiência e retirando o direito de crianças conhecerem o que é a música brasileira.
Voltando a Milton, ficaram excelentes os arranjos das músicas apresentadas. Todos respeitando as versões originais, mas dando uma característica própria repassada pelos intérpretes. Destaque para o conjunto pernambucano “Cordel do fogo encantado”, com duas baterias, uma percussão, uma guitarra e um vocalista extremamente teatral e certamente inspirado no titã Branco Mello. O grupo colocou toda batida da MPB pernambucana pós Chico Science em “Fé Cega, Faca Amolada”. E deu outra vida para “Cio da Terra”.
As cantoras Shirle de Moraes, Mariana Baltar e Mariana Machado também valorizaram o repertório de Milton que, em algumas músicas, ganhou acordes de guitarra mais jazz-rock. No final, uma madrugada de sexta para sábado bem mineira, realçando que o cantor continua com a sua bela voz em forma, com aquele alcance do grave para o agudo que poucos têm.
Leio na imprensa que o Som Brasil virá, ainda neste ano, com Gilberto Gil, Ivan Lins, Tim Maia e Dorival Caymmi. É um programa por mês. Em abril, a homenagem foi a Vinicius de Moraes. E, em maio, a Caetano Veloso. Mas é difícil entender o porquê da emissora não colocar o programa em horário mais acessível, como – por exemplo – na segunda-feira, após a novela das oito, no lugar de filmes normalmente horríveis. Questão de opção, de péssima opção.
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