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O sangue que o bumerangue traz

 
 
13/06/07  - O sangue que o bumerangue traz
 
Claudinet Antônio Coltri Júnior – coordenador e professor universitário, consultor organizacional nas áreas de marketing e gestão de pessoas.

Em minhas andanças (e “paranças”) por aí, tenho visto um grande problema na resolução de certos problemas, mesmos os mais simples. A questão sempre é: onde está o cerne, o ponto chave, o chamado “x” da questão? O fato é que, para cada problema que vivemos, existem causas e conseqüências. Porém, as pessoas têm o hábito de atacar as conseqüências, não as causas.

Dentre tantos exemplos, podemos pegar o da estória da mulher adúltera quase apedrejada em praça pública e salva por Jesus. As pessoas tentaram colocar Jesus “contra a parede”: ou Ele aceitava a lei de Moisés, que ordenava o apedrejamento das mulheres adúlteras (ato totalmente contra o amor incondicional pregado por ele), ou permitia que um erro de conduta (no caso, o adultério) fosse simplesmente esquecido. O que fez Cristo? Simplesmente disse: “O que está puro entre vós, atire a primeira pedra”. Todos foram saindo, sem que atirassem pedra alguma e Cristo orientou a mulher que não praticasse mais tal ato.

No caso acima citado, qual era o problema? Claro, o adultério. Se o problema é o adultério, será que adianta atirarmos pedras na mulher (ou no homem, também) adúltera? Ao atirarmos pedras, estamos tratando a conseqüência e não a causa. Será que ela não vai fazer novamente?

Sei que esse assunto é polêmico e muitos de vocês podem estar pensando que a pessoa tem que pagar pelo que fez. Concordo, mas vamos seguir o raciocínio. Ao atacar a conseqüência de uma situação, ou seja, o adultério, e atirar pedra no outro, a situação se quita. Estando quite, a mulher (ou o homem) pode praticá-lo novamente (e pagar o preço, novamente). Aliás, Castor de Andrade dizia que o homem pode fazer tudo, tudo o que quiser. Ele apenas tem que pagar o preço para isso. E o preço da contravenção que ele cometia era ir preso. Mas, quando saía da prisão, disposto a pagar novamente o preço, repetia suas ações contraventoras (e pagava o preço, e ficava quite, e fazia novamente...). Como diz Belchior em Apenas um rapaz latino americano: “mas sei que tudo é proibido, aliás eu queria dizer que tudo é permitido, até beijar você no escuro do cinema, quando ninguém nos vê”.

A verdade é que devemos internalizar os princípios da vida. No trabalho, por exemplo, devemos trabalhar porque somos parte importante de um processo ou por que o chefe está perto?

No caso da mulher adúltera, a situação a fez reconhecer o erro. Não estou pregando, aqui, que deixemos os crimes e atos falhos “passarem em branco”. Estou dizendo que devemos achar a causa da situação e tratar esse fenômeno para que ele não volte a acontecer. Devemos agir com o foco na aprendizagem, não na punição. Pense em si mesmo: você não rouba porque não acha certo, ou por medo de ir preso? Se for por medo de ir preso, repense sua vida.

Dentre outros ensinamentos que podemos tirar dessa passagem, um tem uma conotação especial: fomos treinados a dar respostas! Não nos é permitido dizer que não sabemos. Temos que ter respostas para tudo. Assim, não nos é permitido aprender verdadeiramente. Jesus, no caso da mulher adúltera, não deu respostas. Simplesmente deixou que cada qual, com sua pedra na mão, fizesse um julgamento de si mesmo, antes de julgar o próximo. A resposta está dentro de cada um de nós. Cada um tem que se responsabilizar por si. Quando permitimos que respondam por nós, estamos entregando o timão, o volante, o manche da nossa vida para os outros.

E, meus amigos, me perdoem, mas hoje me dou o direito de dizer que não sei o que não sei. Não tenho todas as respostas. Alías, tenho poucas. O exercício que temos que tentar fazer é entender as perguntas da vida para, aí sim, poder devolver ao mundo aquilo que somos (e que queremos ser). E, tudo aquilo que entregamos, soltamos, jogamos, lançamos, ao mundo, nos vem de volta. Se lançarmos o bem, é isso o que o bumerangue da vida nos trará. Se lançarmos amor, receberemos amor, respeito. Já, se lançarmos o mal... (atire a primeira pedra quem nunca atirou e espere pelo sangue que o bumerangue desapertou – Engenheiros do Hawaii – Túnel do tempo).

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