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Quando os pais se separam... |
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| 30/05/07 |
- Quando os pais se separam... |
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Debora Corigliano, psicopedagoga em Campinas (SP). E-mail: deboracorigliano@hotmail.com
Terminar uma relação, seja ela qual for, é sempre muito difícil. Agora, quando rompemos uma relação que além das pessoas interessadas os envolvidos são os filhos, a questão torna-se mais sensível ainda, por que não dizer dolorosa. Tanto para os pais como para as crianças, a situação da separação implica perdas para ambos.
Muito antes de ocorrer a separação física dos pais, a relação familiar começa a sinalizar a separação emocional e os filhos convivem com esses desentendimentos, desencontros, agressões verbais e até as físicas.
A criança que presencia estas cenas sofre muito, pois se trata das pessoas que ela mais ama.
Como as crianças imaginam, pensam e sentem sobre tudo o que está ocorrendo?
A criança acha que tudo gira ao seu redor, portanto todas as brigas têm a ver com ela e isso a faz fantasiar algumas situações:
# Se papai e mamãe não se amam mais, então podem deixar de me amar a qualquer momento;
# Vou perder tudo o que tenho;
# Vou ter que escolher entre morar com papai ou mamãe.
Muitas vezes os próprios pais contribuem para que a criança sinta como se estivesse perdendo um ou outro. Ex: Quando se pergunta para uma criança: Quem ela escolhe? (ficar com a mamãe ou com o papai?) De quem ela gosta mais, do papai ou da mamãe?
Cria-se uma situação de ansiedade para a criança. Esta sente que deve escolher entre um e outro exclusivamente, como se ao escolher ficar com um, não ficará mais com o outro, não só em relação a morar, mas também quanto a abdicar da relação pai/filho ou mãe/filho, do sentimento, da intimidade, do amor. É como se fosse algo definitivo.
É muito importante manter um diálogo com seu filho sobre a separação. Use de cautela escolhendo o momento e a forma adequada de passar para a criança o que está ocorrendo, usando uma linguagem adequada à idade de cada uma. Ambos os pais devem informá-la da decisão tomada, para que possa entender e participar do que houve.
Crianças em idade pré- escolar demonstram mais fragilidade emocional nesta situação porque seu desenvolvimento cognitivo ainda não lhe permite compreender o que está acontecendo.
Destaquei algumas características de alterações no comportamento das crianças, relacionando idade e comportamentos:
# 0 a 2 anos - Atitudes mais medrosas e certa regressão;
# 2 a 4 anos - Aproximação excessiva com um dos pais. Medo de ficar sozinho. Sintomas físicos, como febre e falta de apetite;
# 4 a 5 anos - Fantasiam a separação como temporária. Testam o comportamento dos pais com atitudes diferenciadas na casa de cada um deles. Sono agitado.
# 5 a 6 anos - Culpa-se pela separação. Tenta a reconciliação dos pais e sente-se responsável por isso. Pode ocorrer eventos de autopunição. Tristeza e apatia bem perceptível.
Muitas crianças apresentam comportamentos diferenciados também na escola. É importante que os pais comuniquem a professora da nova situação e mantenham-se informados sobre qualquer alteração de comportamento.
O importante é perceber que o modo como cada filho se ajustará à separação depende diretamente de como os pais lidam com o fato, como interagem entre si e com eles, antes e depois da separação. Vale ressaltar que os pais devem encorajar seus filhos a expressar seus sentimentos, sem julgamento e com compreensão, para que possam aprender a lidar com eles. Se a criança apresentar dificuldade em se expressar, os pais podem ajudá-la, admitindo seus próprios sentimentos de tristeza, raiva e confusão.
Pais separados não precisam ser amigos, porém devem manter atitudes de respeito e autocontrole quando em presença dos filhos, principalmente as de apoio em questões que se relacionam com a educação e disciplina.
A criança deve ter consciência de que, mesmo com os pais separados, eles nunca deixarão de amá-la. Cabe a cada um, dentro da nova experiência de vida, continuar se responsabilizando pelo bem estar físico e emocional de seus filhos. Eles dependem de seus pais e se formam através deles.
Lembre-se: desvalorizar, criticar e menosprezar aquele que está ausente trará muita ansiedade, dúvida e questionamentos sobre valores, pois a criança não saberá lidar com esta situação.
Existem literaturas específicas para crianças sobre este tema e para os pais. Há sites de ajuda, tanto na parte legal como na orientação psicológica, com dicas e profissionais aptos para ajudá-los.
Quer saber mais? Escreva-me: deboracorigliano@hotmail.com
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