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Se eu chorar e o sal molhar o meu sorriso, não se espante, cante que o teu canto é a minha força pra cantar - Gonzaguinha

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Onde está a tecla “Rew”?

 
 
16/05/07  - Onde está a tecla “Rew”?
 
Claudinet Antonio Coltri Junior é professor universitário e consultor empresarial nas áreas de marketing e gestão de pessoas.

É, meus amigos, como dizia Cazuza, decididamente o tempo não pára. É impressionante quando olho para trás e parece que foi ontem o natal! É, já estamos quase no meio do ano. O tempo, embora ainda com vinte e quatro horas, um mil, quatrocentos e quarenta minutos, oitenta e seis mil e quatrocentos segundos, parece passar mais depressa do que nunca. Tanto é verdade que, dias atrás, me peguei preenchendo uma data com ano de 2006. Que vergonha! Eu, que tanto falo em adaptação às mudanças, preso em 2006! Mas, graças a Deus, isso já passou. Estamos em 2007 e pronto. Está decidido!

Ocorre que essa percepção de velocidade acelerada do tempo tem, muitas vezes, nos impedido de viver cada dia de uma vez, de perceber as coisas, os sons, as imagens, os sorrisos e até as tristezas que ocorrem em nossa volta. Afinal de contas, não temos mais tempo para nada. Então, é o tempo ou somos nós que estamos acelerados?

Se o tempo está acelerado, eu não sei. Têm aparecido tantas explicações diferentes e interessantes para diversos assuntos, que não vou me meter (por enquanto) a responder essa. Mas que nós estamos acelerados, isso eu não tenho a menor dúvida. É como diz o meu amigo, mineiro, Renato Motha, na canção Não há tempo: “Não há tempo pra parar / não há tempo, nem pensar / Não há tempo para um segundo”.

Como paramos de perceber muitas coisas ao nosso redor, acabamos perdendo muitos momentos importantes da vida de nossos entes queridos, principalmente de nossos filhos. O tempo decididamente não volta atrás. Você perdeu aquela apresentação de sua garotinha na escola por falta de tempo? Você deixou de falar uma palavra amiga para sua/seu companheira(o) naquele momento que ela(e) mais precisava? Faltou tempo? Você não foi visitar sua mãe, seu pai, seus irmãos, suas tias/tios, amigos do coração, por pura falta de tempo?

É, meu amigo, a vida não tem a tecla “Rew”. As coisas não voltam atrás, não voltam mais.

Certa vez, conversando com um colega, ele me contou que havia oito anos que não ia visitar a sua mãe. Motivo: distância e falta de tempo. A mãe dele morava em São José do Rio Preto, apenas 1.200 km de Cuiabá. Digo apenas, pois percorri esse percurso, muitas vezes de ônibus, quinzenalmente, por dois anos e quatro meses. Torço para que ele tenha conseguido tempo e tenha ido ver a sua mãe (Mais Renato Motha: “não há tempo para os meus, não há tempo para os seus, não há tempo para agradecer a Deus”).

Infelizmente, a vida não tem a tecla “Rew”. O que passou, passou.

Certa vez recebi uma mensagem dura, dessas que correm pela internet, que dizia sobre a notícia da morte do melhor amigo. Naquele momento, o personagem se coloca a pensar e descobre que deixou de ir visitar, de responder ao e-mail, à chamada na secretária eletrônica, ao amigo, por pura falta de tempo (Continuando com Renato Motha: “Não há tempo pra servir / não há tempo pra pedir / não há tempo pra delicadezas”). Então ele conclui: “não dispus de tempo para ver o amigo vivo e agora vou deixar tudo para depois, seja trabalho, seja chefe, seja qualquer coisa, para dedicar um dia ao corpo morto do meu amigo”.

É, meu amigo, a vida não tem a tecla “Rew”. É como diz Augusto Cury: “O tempo não está à venda no mercado da vida”.

Por isso tudo, acho que este artigo é o mais difícil que já escrevi. O fato é simples: por um compromisso profissional marcado anteriormente (e por falta de outras datas) não vou poder estar com minha pequenininha em um evento da sala de aula dela no fim de semana. Só de imaginar aquela carinha brincando, correndo, pulando (ela é pior que o tempo, não pára de jeito nenhum), só de imaginar ela (e meu pequeno, também) contando tudo o que aconteceu e que eu não pude presenciar, dá um “nó” na garganta, hei de confessar. Porém, vou viver intensamente cada segundo, vou fazer valer cada momento meu neste dia (assim como espero que ela faça valer o dela), pelo menos para compensar a ausência. Depois, então, só me resta a pergunta: vida, onde está a tecla “Rew”?

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