Daniela Lepinsk Romio, jornalista viciada em leitura e que ama um final feliz
A menina tinha 11 anos e trabalhava para um casal de idosos. Cuidava da casa pela manhã e, à tarde, fazia companhia à senhora. A senhora gostava muito de ler. Tinha um baú de madeira escura, cheio de livros. Um dia, perguntou à menina se ela queria ler alguma coisa. A menina disse que sim. E começou a ler os romances do baú. Eram histórias de amor, com belas heroínas, muito romantismo, cenas picantes e finais felizes, invariavelmente.
A menina tomou gosto pela leitura. A velha senhora se sentava em sua poltrona, com os pés sobre um banquinho, e a menina se acomodava perto. Ficavam as duas lendo em silêncio, durante a tarde toda. Cada uma em seu mundo, mas fazendo companhia uma à outra. A menina procurava terminar suas atividades mais cedo a cada dia, para estar disponível o quanto antes para a sessão de leitura.
Os anos se passaram, a menina deixou aquela casa, o casal deixou esta vida. O filho veio para organizar a casa após a morte dos pais e, no momento de decidir o que fazer com o baú de livros que fora de sua mãe, não hesitou. A dona daquele baú seria a menina, agora uma mocinha.
Com as voltas que a vida dá, a mocinha se transformou em mulher e hoje tem seu próprio negócio. Seu nome é Benaia Andréia Michelotti. É a dona bem-sucedida de uma rede moderna de livrarias. E continua guardando em casa, muito bem guardados, os 266 livros que acompanharam sua adolescência e seu ingresso sem volta no mundo dos viciados em leitura.
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