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Vaticano se perde no limbo da sandice |
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| 24/04/07 |
- Vaticano se perde no limbo da sandice |
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Por Daniela Lepinsk Romio, jornalista e palpiteira enfurecida
Veja isto: “Os teólogos do Vaticano estão convencidos, após vários meses de reflexão, que o limbo não existe e que as criancinhas mortas sem o sacramento do batismo vão diretamente para o paraíso.” (AFP, 20/04/2007)
Ok, a Igreja Católica decidiu que o limbo não existe mais. Mas fiquei cheia de dúvidas. Primeiro: se o limbo não existe mais, o que acontece com todas as crianças que morreram sem batismo até hoje e estavam presas lá? Elas se extinguem juntamente com o limbo ou são liberadas para o paraíso com as demais?
Um detalhe: segundo a matéria, as conclusões não têm valor de dogma. Deve ser algo tipo uma Medida Provisória. Quer dizer que, se o STF da Igreja derrubar essa nova regulamentação, por inconstitucionalidade em relação à Bíblia ou algo assim, o que acontece com as criancinhas que já haviam sido liberadas para o paraíso? Voltam ao limbo? E quem vai caçá-las enquanto brincam de esconde-esconde nas nuvens do céu? Serão os santos?
Mas a pergunta que não quer calar é a seguinte: qual a definição de criancinha para o Vaticano? Um ano de idade? Cinco? Dez? Dezoito? É preciso decidir o nível de inocência exigido para que a falta de Batismo não condene ao fogo do inferno (que também parece que já foi extinto, o que levanta outras questões ainda mais complicadas).
Será que o limbo é como as febéns da vida? Quem fica lá estará fadado a ser hóspede do inferno - ou haverá realmente chance de recuperação e ressocialização celeste? Acho que é o primeiro caso, pois agora o Vaticano diz que o limbo é "uma visão muito restrita da salvação". Se querem acabar com o troço, é porque alguma coisa deve ter dado muito errado por lá.
Talvez o orçamento tenha estourado e estejam faltando doações para a manutenção das instalações opulentas do Vaticano, com suas obras de arte e o cardápio chique da santidade. Então, extingue-se o limbo, que vivia no vermelho. Pronto! Que nem a Sudam, lembra?
Pode ser também que esse papa retrógrado queira apenas ter discurso quando chegar ao Brasil, daqui a uns dias, ciente das crises de violência urbana e da discussão sobre redução da maioridade penal no país. Como ele poderia falar algo contra a redução da maioridade penal, se ainda permitia que os bebês não batizados virassem internos do limbo?
A Igreja Católica está cada vez mais gagá. Peço desculpas aos fiéis sinceros e de coração bom, principalmente à minha mãe, mas alguma coisa deu muito errado com essa instituição. Ela está muito fora dos trilhos. Há tempo demais. As correntes mais humanistas, as únicas que mantêm a lucidez, vêm sendo amordaçadas e aniquiladas pelo Vaticano.
O pior é que milhões de pessoas levam a sério notícias como o fim do limbo. Para mim, o único lado bom é que vão poder respirar aliviados aqueles que passaram pela dor de perder um filho sem batismo e ainda ser torturados pela crença de que seu bebê ficaria vagando para sempre numa terra de ninguém.
O mundo acabando e os caras desde novembro pensando no limbo, em vez de encerrar essa sandice de uma vez e se ocupar com a caridade. Dias atrás começaram a pensar se camisinha é aceitável entre casados. Soltam barbaridades contra o divórcio, contra os gays e até contra certas músicas. As mulheres já começaram a levar bronca, pois saem para trabalhar e a família se desestrutura. Isso me deixa emputecida!
Limbo é o caramba. Limbo é onde a Igreja Católica está desde a Idade Média - mas ainda não percebeu.
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