Por Daniela Lepinsk Romio, jornalista e palpiteira de plantão
Assista ao filme V de Vingança (EUA/Alemanha - 2006). Dirigido por James McTeigue e com roteiro de Andy Wachowski e Larry Wachowski, o filme se baseia em personagens criados por David Lloyd e Alan Moore. ‘V’ é o codinome de um homem que vive para, ao mesmo tempo, vingar algo de terrível que lhe foi feito e tentar libertar a Inglaterra do regime autoritário que domina o país - um regime próximo do Big Brother, de George Orwell, em ‘1984’.
Acontece que V é um personagem carismático, inteligente e charmoso - ponto para Hugo Weaving, que consegue uma façanha ao atuar com máscara durante o filme todo, usando apenas a voz e a expressão corporal para mostrar todas as facetas do protagonista. A máscara é uma referência a Guy Fawkes, que tentou explodir o Parlamento Britânico quatro séculos atrás, sem sucesso.
Em seu caminho, V cruza com a jovem Evey Hammond (Natalie Portman), que acaba se tornando parte de seus planos - e de sua vida. Atenção para as explosões ao som da Abertura 1812, de Tchaikovsky - a versão original da música, que é fantástica, usava disparos de canhão. E uma curiosidade: para quem gosta do Zeca Baleiro e ainda quer saber por onde andará Stephen Fry, ele é o ator que faz o simpático Gordon Deitrich.
Como o filme é baseado em quadrinhos, quem não conhece pode não se sentir atraído pelo nome. Mas vale a pena assistir. A mim, que nunca li os quadrinhos de V, me trouxe uma curiosidade imensa de ler. Sei que os leitores e fãs dos originais reclamaram da adaptação para o cinema, mas, mesmo com ressalvas, a maioria aprovou o filme. Aos anarquistas em geral - mesmo os frustrados como eu, que não acreditam que a humanidade está evoluída o suficiente para o anarquismo - é uma boa pedida.
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