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Adotar um filho: ato de amor que a burocracia emperra

 
 
26/03/07  - Adotar um filho: ato de amor que a burocracia emperra
 
Debora Corigliano, mãe de dois filhos adotivos e psicopedagoga em Campinas (SP)

O amor não exige vínculo sanguíneo, o amor não exige credo, raça ou posição social. O amor surge da vontade de ser feliz . Assim é a adoção. Da vontade de ser pai/mãe nasce um amor que supera tudo e se transforma no verdadeiro amor .

Esse é o nosso Brasil, tão grande e ao mesmo tempo tão pequeno. Pequeno em ações. Digo isso pois estou sendo testemunha em um processo de adoção de um garoto de 4 anos, que já vive há 1 ano com sua atual família e, agora que está conseguindo sua estrutura familiar, que está se integrando à sociedade, um parente distante requereu sua guarda e, por um erro burocrático, as autoridades competentes irão mais uma vez mudar o destino desse garoto, que - com poucos anos de vida - já tem mais problemas do que nós, adultos, já tivemos na vida. Ele já passou por três famílias, isso tudo em função da burocracia lenta e arcaica que há nesse país.

Não querendo entrar em estatísticas, mas tomando consciência dos números, sabemos que temos um índice alto de crianças esperando um lar, e um número nas mesmas proporções de casais procurando uma criança para adotar. Mas caímos na famigerada burocracia, que pede para preencher vários formulários, lhe expõe a uma assistente social que chega em sua casa não como uma assistente da sociedade e sim como uma investigadora dos seus bens financeiros e cuja preocupação é saber se você tem um berço esplêndido para esta criança e não afeto, carinho e atenção.

Uma vez fiz um "curso" para candidatos a pais adotivos, coordenado pela Vara da Infância e Juventude da cidade onde moro e ministrado por assistentes sociais e psicólogas que, ao exemplificarem um caso de adoção que deu certo, usaram o tão famoso "super-man" das histórias em quadrinhos, que também é adotivo. É essa realidade que a sociedade conhece sobre adoção?

Experimente visitar um orfanato com o intuito de adotar uma criança. Você verá crianças de todas as idades e até terá a chance de fazer um "test-drive". Leva a criança que você mais gostou para um final de semana em sua casa, mostra a ela um mundo diferente, muito melhor do que ela conhece e na segunda-feira você a devolve para a realidade. Caso tenha gostado do "produto", você terá que passar por um período burocrático enorme que fatalmente o leva a desistir e a partir para uma adoção clandestina, aquela da amiga da prima da vizinha que teve um bebê e quer dar. E aquela criança cujo final de semana foi maravilhoso se frustra pois ficou ali à espera de uma decisão de um juiz, do aval de uma assistente social, entre outros requisitos. Essa criança cresce como todas as outras e passa a ser excluída pois deixou de ser engraçadinha, e a única chance que teve, foi desperdiçada. E é essa chance que o garoto do início do artigo e sua atual família não querem desperdiçar. Para ele é o seu futuro em jogo e para esses pais adotivos é a realização de se tornarem pais, de darem afeto, amor e atenção. Esse realmente é o nosso Brasil.

Caso queira mais informações sobre adoção , escreva-me deboracorigliano@hotmail.com


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