Antônio Lemos Augusto, jornalista e advogado em Cuiabá-MT
Achei estranho quando meu filho, de 05 anos, me pediu para comprar um CD “com aquela música nervosa”.
“Que música nervosa, Caio?”
“Aquela que diz assim: qual é, qual é?”
Caiu a ficha. O garoto queria o CD do Marcelo D2, que há poucos anos lançou o trabalho “À procura da batida perfeita”, com 11 músicas, considerado por muitos como um dos três melhores CDs daquele período.
Marcelo D2 foi o vocalista e letrista da banda Planet Hemp, que, nos anos 90, provocou polêmica ao defender abertamente a legalização da maconha. O grupo chegou a responder processo criminal. Na época, comprei um CD - Os cães ladram e a caravana passa - para conhecer: nada mal, mas nada demais. Como sou totalmente contra a liberalização da maconha e odeio cigarros e afins, larguei pra lá e até peguei certa antipatia.
O Planet Hemp acabou e Marcelo D2 foi fazer carreira solo, o que pouco me importava. Até que meu filho, semana passada, veio com o pedido: “Pai, compra o CD com aquela música nervosa?”.
Sabe de uma coisa? Comprei. E o CD é realmente muito bom, uma ampla evolução aos tempos do Planet Hemp. A qualidade musical e experimental supera o continuísmo das menções à maconha. “À procura da batida perfeita” mistura samba com hip hop e homenageia artistas da MPB, como João Nogueira, Chico Science, Tom Jobim. A influência de James Brown, falecido recentemente, é nítida. As músicas fazem meu filho pular.
Uma delas tem o refrão “Eu me desenvolvo e evoluo com meu filho”. É isso aí!
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