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O menino, a pistola e o rato

 
 
30/01/07  - O menino, a pistola e o rato
 
Lidiana Cuiabano, jornalista em Mato Grosso

Com “B”, escreve-se “bomba”. Com “B”, escreve-se “bad”. Com “B” também se escreve “Brasil”. Vinte e oito de novembro de 2006, nove e quinze da manhã. Em uma loja de produtos agropecuários de Cuiabá, uma pistola 22 mm é vendida a um garoto de 10 anos, um pouco maior que a metade da altura de uma porta. O motivo da compra: estourar o cérebro de uma ratazana que, todos os dias, por volta do meio-dia, surge em meio ao turbilhão de louças do almoço para lavar.

Vinte e oito de novembro de 2006, cinco e vinte da tarde - no mesmo dia. A fila é longa no Hospital e Pronto Socorro Municipal de Cuiabá. A espera é árdua. Mas o pequeno garoto agüenta firme a dor no braço. O sangue é estancado por um pedaço de pano de prato segurado fortemente pelo pai.

Assim como o garoto desta história, milhares de brasileirinhos procuram, todos os dias, os postos de saúde espalhados pelo país vítimas de acidentes domésticos com arma de fogo. Mas o que levou o menino a escolher a pistola, e não uma ratoeira, para tentar acabar com o nojento roedor?

A resposta talvez possa ser obtida de alguns programas de TV, nos quais bombas e armamentos pesados dão fim em qualquer situação conflitante. Ou até mesmo em telejornais nacionais que mostram, ao vivo, o poder que uma arma tem no momento de um seqüestro ou assalto. Se uma arma resolve grandes problemas, que dirá dar sumiço à ratazana que visita diariamente a cozinha da casa do rapaz. É tão simples: basta apertar o gatilho!

E qual procedimento deve ser tomado pelo pai? Culpar a loja de vender a arma ao garoto ou privar o pequeno de conviver e assistir a realidade na qual ele se encontra?

A violência sempre estará presente nas mínimas intenções do dia-a-dia. Até mesmo na hora de extinguir um roedor qualquer.

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