Antônio Lemos Augusto, jornalista e advogado em Cuiabá-MT
A Rede Globo, principal emissora do país, marcou pontos, mas também os perdeu, com os musicais e especiais de final de ano. O grande mérito do canal foi a apresentação de um especial sobre a vida de Elis Regina, em 28 de dezembro, marcando os 25 anos de sua morte. Tudo bem que o especial ficou meio “água com açúcar”, mas a abordagem não reduz o mérito da emissora de investir no programa. Até porque, no marasmo televisivo em que vivemos no mundo das redes abertas, o especial acabou sendo uma exceção de final de ano.
Elis Regina teve uma vida conturbada, polêmica que era. Destaque para a forma cuidadosa em que o especial tratou da morte da cantora, vítima de overdose em janeiro de 1982. Outro destaque foi apresentar um dos maiores dons de Elis Regina: o descobrimento de talentos. Elis lançou Milton Nascimento, lançou Fagner, lançou Belchior, fortaleceu Gilberto Gil e por aí vai.
Ponto também para a emissora ao mostrar os filhos de Elis, todos vivendo profissionalmente da música, entre eles Maria Rita, cantora que paga o preço de, injustamente, ser sempre comparada com a mãe. E, como o próprio roteiro afirmou, o especial serviu ainda para apresentar a cantora àqueles que, pelas duas décadas e meia de seu desaparecimento, não a conhecem.
Outro ponto positivo da programação musical da Globo, de final de ano, foi o especial com Roberto Carlos, enfocando com maior destaque seus sucessos do passado. Três pontos interessantes no especial: o primeiro, com o cantor revivendo “Negro Gato”, canção que não apresentava há muito e muito tempo. O segundo, mais pela descontração, foi a apresentação, em conjunto com o Mc Leozinho, do funk “Se ela dança, eu danço”. Os “puristas” torceram o nariz, mas o que seria da MPB sem a boa e velha mistura? E o terceiro ponto: ver Jorge Benjor e Roberto Carlos juntos - poucos sabem que a história inicial dos dois tem pontos em comum.
Porém, a Globo pecou feio no tal “Show da Virada”. Colocar grupos musicais e cantores para apresentações como se fossem ao vivo, porém em “play back”, é o fim do mundo para uma emissora que se diz grande. Coisa sem graça e de mau gosto, até porque armou uma estrutura de show enorme, com público, para simplesmente colocar artistas como se fossem dublês no palco, macacos de auditório. Pra piorar, algumas músicas foram apresentadas com cortes. Fechou o ano fazendo bobagem a emissora “plim-plim”.
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