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Se eu chorar e o sal molhar o meu sorriso, não se espante, cante que o teu canto é a minha força pra cantar - Gonzaguinha

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Retratos da omissão

 
 
20/12/06  - Retratos da omissão
 
Ubirajara Oliveira, jornalista

A denúncia feita pelo Jornalista Nicholas D. Kristof, do NY Times, retransmitida para vários jornais do mundo e, aqui no Brasil, publicada no jornal OGLOBO, é mais que um alerta sobre a situação emergencial no continente Africano: É um pedido de socorro. O local, Darfur, região do Sudão, onde, desde 2003, um violento conflito tribal provoca verdadeiras cenas de terror e destruição. Homens, mulheres e crianças são mortas. Assassinadas. Classificadas por Nicholas como “Vítimas de nossa indiferença”. Sem apelar para o sensacionalismo, o texto traduz o clamor de um colunista para a realidade que, muitos, insistem em ignorar.

Os conflitos étnicos na África, além de aumentar as estatísticas no número de mortos, agrava o problema da fome. Curioso é que, no passar dos anos, todas as vezes que a mídia expõe fatos como esse, ouvimos as mais “estarrecidas” declarações dos líderes mundiais, que prometem ações efetivas para atender os clamores e resolver as questões. E aí, passado o calor do momento, os discursos humanistas se perdem, e então voltamos à condição de espectadores dos genocídios causados, ora pela fome, ora pela guerra civil.

Chega de inércia! Essa é hora de nos retratarmos e cobrarmos uma posição, seja da ONU, dos EUA, do G8, ou de quem for. Não podemos mais assistir as intervenções chanceladas pelo interesse que somente atende o capital, e permitir que crianças continuem morrendo em nome de “não sei lá o quê”. Não é a vida mais que o poder econômico!? Não é a ação, um eficaz complemento da palavra!?

Que essa reportagem seja um instrumento de reflexão. Chega de lamentar e não agir. Que os chamados “Gerentes” do planeta incluam em suas listas de discussões ações efetivas para mudar a triste realidade dos países destruídos pela guerra. Até quando fotos de seres humanos mortos, em situações que poderiam ter sido evitadas, vão continuar nos indignando? Será que o clamor dessas pessoas vai continuar ecoando em nossas almas, como um grito solitário, mas sem resposta? Não bastou a escravidão!?

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