Antônio Lemos Augusto, jornalista e advogado em Cuiabá-MT
Quem gosta de Música Popular Brasileira, gosta de MPB-4. O quarteto está na estrada desde 1962, interpretando sucessos de dezenas de autores, sempre de forma magistral. Aquiles, Ruy, Miltinho e Magro são responsáveis por algumas gravações históricas, como “Partido alto”, letra de Chico Buarque, que o MPB-4 conseguiu dar a caracterização vocal exata do típico carioca. A música, aliás, foi censurada nos anos 70: “Deus me fez um cara fraco, desdentado e feio / Pele e osso simplesmente, quase sem recheio / Mas se alguém me desafia e bota a mãe no meio / Dou paulada a três por quatro e nem me despenteio / Que eu já tô de saco cheio”.
Um bom CD do MPB-4 é sempre recomendado para dar de presente. Pode ser qualquer um ou uma coletânea: a qualidade é inerente. Quem não conhece a gravação de “A lua”, de Renato Rocha? (A lua, quando ela roda / é nova, crescente ou meia lua / É cheia, quando ela roda / Minguante meia / depois é lua novamente... ). Ou a gravação da bela “Amigo é pra essas coisas”, de Aldir Blanc e Silvio Silva Junior? E quem não deu risada com a versão para “O pato pateta”, lá do especial de Vinicius de Moraes, dos anos 80? “Vira virou” é outra marca registrada de MPB-4.
Mas, para mim, uma das mais belas gravações do quarteto está em “Sabiá”, a música de Tom Jobim e Chico Buarque que levou uma das maiores vaias em festivais da história da MPB. O MPB-4 demonstrou que “Sabiá” é, não apenas importante para a musicalidade brasileira, mas também é bela e poética.
Além de demonstrar que o canto em coro é possível e necessário na MPB, o MPB-4 se caracteriza pelos arranjos diferenciados das músicas, valorizando melodias e letras. Realmente, para qualquer autor de música no Brasil é uma honra ser gravado pelo quarteto, como já foram Chico Buarque, Tom Jobim, Milton Nascimento, Fagner... Enfim, a sonoridade da MPB contemporânea não seria a mesma sem MPB-4.
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