Katiúscia Mantelli, jornalista em Mato Grosso
A quem devemos atribuir a culpa pelo excesso de lixo encontrado nas ruas de centenas de cidades brasileiras? É muito fácil, e até cômodo, empregar a coleta de lixo e limpeza das ruas à função do poder público, que tem por obrigação fazê-las. Mas e o “público”, aquele que bastam 30 segundos em um semáforo fechado para abrir o vidro do carro e, “vupt”, lá vai um palito de picolé, uma caixa de Mac Donalds, uma embalagem de farmácia, papel de bala, guardanapo, cigarros, latas de bebidas, garrafas de água etc etc etc? Parece uma feira...
Já cheguei a presenciar uma discussão entre uma senhora e um “mauricinho”, porque ele, de boné virado, sem camisa e fumando, jogou pela janela de seu Celta, rebaixado e equipado, uma garrafa de cerveja, que - acidentalmente - caiu sobre o capô do simples carro da mulher. Foi uma confusão. E, lógico, mesmo educada, a senhora cuspiu tudo quanto é palavrão.
É preciso salientar que uma simples garrafa de vidro, como a atirada pelo nosso personagem, pode causar um acidente fatal, principalmente com a quebra do pára-brisa de um carro.
Em outra cena, um belo rapaz, em elegante terno, não hesitou em abaixar o vidro de seu veículo importado e atirar, primeiro, uma embalagem de lanches e, em seguida, um copo de refrigerante. Coitado, né? Em pleno meio-dia, sem tempo de parar para almoçar, teve que comer qualquer coisa pela rua mesmo e...
E agora? Como associar a falta de cidadania à falta de educação? Como argumentar que as pessoas que têm esse tipo de atitude não recebem a orientação necessária sobre o que fazer com o lixo de produtos consumidos dentro do carro? Dá para classificar essa atitude como sendo das pessoas mais pobres, que não têm carro? Ficou difícil limpar a barra de alguém.
Porém, mais difícil ainda está sendo limpar a imagem e as ruas das nossas cidades.
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