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É preciso morrer para aprender? |
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| 12/12/06 |
- É preciso morrer para aprender? |
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Jercel Marques, jornalista em Mato Grosso
Manhã de quarta-feira, 06 de dezembro de 2006. O relógio aponta 7h. Algumas gotas de chuva esfriam o solo quente de Cuiabá. O trânsito está movimentado, intenso. Tudo parece tranqüilo como qualquer outra quarta-feira.
Carolina *, 9 anos, cursa a 3a. série do ensino fundamental. Com a mochila nas costas, segue rumo à escola, segurando na mão do pai. Antes de fazer a travessia, que dava acesso à escola, Carolina se despede do pai. Surge um beijo de pai para filha, que significa: “vai com Deus, tome cuidado”.
Carolina inicia a travessia e... O pior surge. Uma fatalidade. O inesperado acontece. Carolina tem a cabeça esmagada por um ônibus nas proximidades do bairro Jardim Vitória, periferia de Cuiabá. O motorista tenta se justificar, mas nada trará de volta a vida de Carolina.
O pai corre ao encontro da filha. O que há alguns minutos era uma pessoa, agora é um corpo sem vida. Lágrimas se convertem em arrependimento por não ter feito a travessia com Carolina. Ele confiou no trânsito tranqüilo.
O pai, 39 anos, uma filha morta e uma história trágica para contar pelo resto de sua vida.
No trânsito não se brinca! A maioria das pessoas faz, do trânsito, lugar de aprender a dirigir, mas a realidade é outra. Não se vive de testes no trânsito. Nas ruas é lugar de colocar o que aprendeu em prática.
O que se vê é imprudência e desobediência ao Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Motoristas falando ao celular enquanto dirigem, sem o cinto de segurança, ultrapassando o sinal vermelho etc.
A lei estabelece que os veículos maiores são responsáveis pelos menores e todos devem buscar a proteção ao pedestre, pois ele é o mais frágil no trânsito.
Não estou dizendo que o motorista do ônibus é o culpado pela morte de Carolina, mas um pouquinho mais de consciência não faz mal a ninguém.
Será que é preciso morrer alguém (ainda mais uma criança) para aprendermos? Se tem uma coisa que os motoristas precisam aprender é que ele deve dirigir para si, para os outros e para o pedestre. Hoje, ele é motorista. Amanhã, é um pedestre, que pode ter o destino de Carolina.
* Nome trocado
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