Antônio Lemos Augusto, jornalista e advogado em Cuiabá-MT
Kid Abelha e os Abóboras Selvagens... Esse grupo vem persistindo há mais de 20 anos. Não tem o mesmo brilho do começo, ainda com Leoni no baixo, mas mesmo assim tem um repertório histórico de dar inveja. É certamente um dos principais representantes da música pop brasileira.
Paula Toller, além de bonita, tem o carisma próprio nos shows. George Israel, com seu sax, é, sem sombra de dúvidas, um dos principais músicos da MPB. E Bruno Fortunato se destaca pela simplicidade na guitarra. O trio perdeu sim com a saída de Leoni nos anos 80, o principal compositor da banda, mas a prova da sobrevivência é a manutenção na estrada.
Este artigo tem a hora certa em virtude da banda anunciar uma pausa na sua existência no primeiro semestre de 2007, garantindo que retorna aos palcos após. É que cada um dos quarentões do grupo quer também desenvolver projetos próprios, algo salutar e também utilizado por outras bandas, como Titãs.
Em 1984, a banda - com nome engraçado - lançava o primeiro disco, que contém alguns dos clássicos da música pop brasileira: Fixação, Seu espião, Como eu quero, Por que não eu?, Alice, Pintura íntima são músicas do primeiro trabalho. Essas músicas já garantem a história da banda. É um dos melhores discos dos anos 80.
Em 1985, no segundo disco, três músicas se destacaram: Lágrimas de chuva, Educação sentimental e Garotos. Logo um ano após, vem o primeiro álbum ao vivo.
Em 1987, já sem Leoni, o Kid Abelha emplaca “Amanhã é 23” e “No meio da rua”. 1989 gera o quinto disco, com “Todo meu ouro” e “Agora sei”. Dois anos depois, 1991, a banda lança o sexto trabalho, com “Grand’Hotel” e com a regravação de “Não vou ficar”, de Tim Maia.
Esses seis primeiros trabalhos formam a história forte do Kid Abelha. Nos anos 90 e neste século, o grupo não conseguiu repetir os sucessos de antes, mas se manteve firme na história da música brasileira, trabalhando como nunca. Lançou mais dez álbuns, totalizando 16 trabalhos desde 1984. Destaco a bela regravação de “As curvas da estrada de Santos”, de Roberto Carlos, em 2000, e o “Acústico MTV”, de 2002.
Vale sempre ter em mãos alguma coletânea com as produções de George Israel, Paula Toller e Bruno Fortunato. Enfim, o Kid Abelha fez bem a ponte entre o rock e o pop na Música Popular Brasileira, o que não era algo fácil em uma época que tínhamos tantos grupos bons de rock. Manteve-se até hoje principalmente pela coerência e insistência em seu estilo.
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