Alair F. Neves, estudante de Jornalismo do IVE - Várzea Grande (MT)
Há mais de 48 horas, tomando soro, sentado em um corredor que mais parece o corredor da morte, encontramos Aldair, 32 anos, casado e pai de dois filhos. Que susto, que vergonha! Este é o meu país? Descaso total, calor de 40º, gemidos, cheiro de remédios e muito sofrimento.
Sofrimento em não poder fazer nada, sabendo que campanhas publicitárias em prol de eleições consomem fortunas. Sofrimento e vergonha em assistir a tudo isso sem poder mudar nada.
Aldair, após passar mal, foi encaminhado ao pronto-socorro de Várzea Grande, segunda maior cidade de Mato Grosso, sendo atendido pelo médico plantonista na madrugada, por volta de 3h.. Aldair deu entrada no pronto socorro queixando-se de fortes dores abdominais. O médico prescreveu um analgésico e disse: “amanhã iremos radiografar”.
Ao passar o plantão, o médico deixou o pedido pronto, que só foi atendido por volta de 17h, após sucessivas crises e choros dos filhos e da esposa de Aldair.
Que vergonha do meu país! Após 48 horas, Aldair ainda se encontrava no corredor, aguardando o próximo plantão para a leitura dos exames. “Que fazer, meu Deus!?”, questiona a esposa. “Reze”, aconselha o marido.
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