Antônio Lemos Augusto, jornalista e advogado em Cuiabá-MT
Está certo que esse negócio de comer verdura e legume não é muito atrativo para a molecada. Mas será que o problema não está com os pais da molecada? Por certo que é cômodo soltar a criança, no horário de almoço, em um Bob’s da vida e correlatos. Dá menos trabalho: a criança come aquilo e não enche o saco. Todos ficam felizes e... obesos.
Educar é dar exemplos, claro! Outro dia um pai reclamava que seu filho só comia arroz, batata e carne. E no prato do pai tinha somente arroz, batata e carne. O verde passava ao largo. E nenhum tomatinho para contar história.
O termo “educação alimentar” realmente é apropriado. Eu, esposa e filho fomos a uma rede nacional de restaurante e comidas rápidas em um domingo. Você escolhe o tipo de carne, o tipo de molho e três acompanhantes, em uma lista variada, que inclui opções de verduras e legumes. Verificamos que havia pratos para adultos e pratos para crianças, com quantidade menor de comida e alguns requintes, como a batata recortada em forma de bicho. Aí descobrimos que, para os pratos infantis, não há opção de se escolher verduras ou legumes. A rede de comida rápida parte do princípio que verduras e legumes é coisa de gente grande. Se o pai quiser incluir algo de verde no prato do filho, precisa pagar à parte.
A palavra “almoço” não deveria incluir sanduíches e correlatos, nem no fim de semana, sabemos todos. Isso é coisa de final de tarde ou noite e de vez em quando. Não convém colaborar para que crianças urbanas, que não sabem - em regra - que a cenoura nasce e cresce dentro da terra e que o arroz vem dentro de casca e que o feijão está dentro de uma vagem (o que é vagem, pai?) aprendam que o gosto que convém é o do hambúrguer com coca-cola e, de sobremesa, uma massa repleta de gordura trans a que dão o nome de sorvete.
Não faz muito tempo, uma matéria de televisão mostrou que uma criança, extremamente obesa, comia apenas arroz e frango frito. Todo dia: arroz e frango frito. A mãe tentava fazer com que comesse outra coisa, mas acabava cedendo e fritava o frango, com uma argumentação distorcida: ah, se eu posso dar... eu olho a carinha dele e fico com pena! E a carinha dele vai ficando cada vez mais inchada. Sinal, aliás, de que comer em casa não significa comer de forma mais saudável.
A comilança infantil, aliás, vem também dessa ansiedade maluca que nós, pais ditos modernos, jogamos sobre crianças. É resultado da vida, claro! Mas nem percebemos que filhos de pais divorciados no meio das brigas dos seus “responsáveis” ou filhos atolados de cursos disso e daquilo ou filhos que vivem a vida da babá, seja física ou televisiva, enfim, se empanturram mais e queimam energia menos. Cantinas de colégio, não raro, assassinam qualquer tentativa de se criar um hábito alimentar, se é que pais ditos modernos têm hábito alimentar.
Enfim, tem feriado na semana. Logo depois, outro domingo. E o hambúrguer é o pedido do almoço em família.
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