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É brega! E daí?

 
 
08/11/06  - É brega! E daí?
 
Antônio Lemos Augusto, jornalista e advogado em Cuiabá-MT

Música brega vende. E vende muito. Então esse negócio de que música brega não presta é balela e preconceito. Pode não ser considerada arte musical (o que também é para se pensar), mas tem sua importância certamente.

Foi bom ver, recentemente, um grupo de novos artistas gravando sucessos de Odair José, o autor de “Pare de tomar a pílula”. É bom lembrar de Waldick Soriano, com sua “Eu não sou cachorro não”, gravada em inglês por Falcão. Quem não cantou “Fuscão Preto”, que era feito de aço e fez o amor em pedaços, nos anos 80?

Ora, a música brega inclusive influenciou, e muito, o rock nacional. A banda Blitz bebeu na fonte brega. Exemplo: “A dois passos do paraíso”. O grupo Pato Fu, vez ou outra, tem referências bregas. Gostem ou não, Raul Seixas tem muito da música brega. Alguns grupos ditos de rock nos anos 80 eram breguíssimos: ou “ursinho blau-blau” não é brega?

Na verdade, ouvir música é questão de momento. Há a hora da música clássica, a hora do Chico Buarque, a hora de Legião Urbana e a hora de Amado Batista. Ou alguém nega que Amado Batista é conceituado?

Benito di Paula era taxado de brega. Wando é brega e assume (e quem não cantou “você é luz, é raio estrela e luar”?). Ritchie, um dos caras mais cantados nos anos 80, sofreu um boicote terrível porque acreditavam que era brega. Zé Ramalho tem produções que são bregas explicitamente. E Fagner deixou toda uma história de lado para entrar no estilo brega sem qualquer remorso, falando de borbulhas de amor. Alexandre Pires trocou o samba pelo brega. Fábio Junior, autor de uma das mais bonitas homenagens aos pais na MPB, dança ao sabor do vento brega.

Como qualquer estilo musical, há músicas boas e ruins na produção brega. Gosto de algumas músicas e não gosto de outras. Como gosto de alguns rocks e não gosto de outros. Como gosto de alguns sambas e não gosto de outros... É assim. Tirar o preconceito do ouvido é garantia de divertimento. Sejamos bregas porque ninguém tem nada a ver com isso.

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