Antônio Lemos Augusto, jornalista e advogado em Cuiabá-MT
A vitória de Marilson dos Santos na 81a. Edição da Corrida de São Silvestre, em São Paulo, mostra que o atletismo brasileiro tem potencial, quando recebe o devido apoio, o que – infelizmente – ainda é caso de exceção. O agora bicampeão da São Silvestre realçou que não pode reclamar de falta de apoio, confirmando que tem patrocinadores fortes. Não sei quem são os patrocinadores, mas certamente eles têm também o mérito da vitória.
No Brasil, quem patrocina esporte e cultura precisa ser devidamente divulgado. Marilson tem patrocinadores porque é um atleta de elite. Mas não foi sempre assim. Antes de tornar-se nacionalmente conhecido, principalmente quando venceu a sua primeira São Silvestre, em 2003, Marilson também peregrinou com o pires na mão em busca de apoio, uma busca que nem sempre rende louros aos melhores.
O atletismo brasileiro, bem como demais esportes amadores, sofre para conseguir níveis de competitividade justamente porque não possui as mesmas condições de treino e de evolução que existem em países mais estruturados. A ginástica brasileira é um exemplo de como um pouco de investimento pode fazer a diferença. Há alguns anos, tratava-se de um esporte sem expressividade para a opinião pública justamente porque não aparecia na mídia, sofrendo com os percalços da ausência de apoio. Agora, com um centro de treinamento estruturado em Curitiba e contando com a seleção de atletas mirins para que evoluam em busca do futuro, a ginástica olímpica colhe frutos expressivos, com diferentes atletas.
No Brasil, há uma dissociação clara entre ensino e esporte, ao contrário do que ocorre em outros países. As escolas, públicas ou privadas, não investem em equipes de esportes e mal-mal aplicam a disciplina Educação Física, mais para cumprir burocraticamente a exigência do MEC. Garotos que possuem aptidão para o esporte crescem sem a menor noção do potencial próprio. Aqueles que querem ingressar no esporte somente encontrarão algum caminho aberto, mas árduo, nos casos do futebol, do vôlei e, em algumas regiões, do basquete.
Voltando ao atletismo, quanto custa um par de tênis apropriado para corridas? Barato não é. Comum ver jovens carentes tentando correr descalços, treinando para alguma competição local. As poucas competições existentes no país em relação ao atletismo, considerando o tamanho do Brasil, são vencidas pelas mesmas pessoas, que – após muita luta – conseguiram lugar em alguns dos raros clubes que apóiam esse esporte. Enfim, João do Pulo, Joaquim Cruz e Marilson são personagens fundamentais para o esporte brasileiro porque conseguiram driblar a omissão do país para com eles, alcançando um lugarzinho ao sol, um sol abatido pelas sombras de um Brasil carente, com classes políticas corruptas e com extrema deficiência de priorizar o gasto de seus parcos recursos.
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