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19/12/05  - Tópicos de uma conquista mundial
 
Antônio Lemos Augusto, jornalista e advogado em Cuiabá-MT

# São Paulo 1 x 0 Liverpool: Rogério Ceni entrou de vez para a história do São Paulo. O goleiro artilheiro mostrou o porquê de ser um dos melhores goleiros de toda a história do futebol brasileiro, mesmo sem nunca ter sido titular em uma Copa do Mundo. Rogério Ceni garantiu o título de campeão mundial para o São Paulo com defesas espetaculares.

Ceni chegou ao São Paulo em uma época que Zetti reinava absoluto no gol. Aguardou pacientemente na reserva, inclusive assistindo a figura de Zetti se destacar nos mundiais conquistados pelo São Paulo no início dos anos 90, com o técnico Telê Santana. Quando assumiu a titularidade, não a soltou mais. Além de goleiro, mostrou-se exímio cobrador de faltas, uma arma sem dúvida do time paulista e que encanta cronistas esportivos de qualquer país por onde o São Paulo joga.

Dificilmente, o torcedor são-paulino vai se lembrar de outro nome que tanto se identifica com o clube, ainda mais nessas épocas onde jogadores se destacam no Brasil e logo pulam para outros times de outros países. Além do São Paulo, que outro time brasileiro que tem no gol a mesma figura nos últimos 15 anos? Mérito de Ceni e mérito do São Paulo, que também valorizou o jogador financeiramente.

Ceni também se destaca pelo caráter. É um jogador tranqüilo, que sabe elogiar adversários e reconhecer erros do próprio time. Assim, ganhar o título de campeão mundial no domingo era pouco. Tinha também que pegar a taça de melhor jogador do torneio e levar o carro, prêmio para o melhor do jogo.

Que Parreira repense os nomes para o gol da seleção brasileira: Particularmente, penso que o trio deva ser Dida, Ceni e Gomes, não necessariamente nessa ordem.

# Um personagem da final entre São Paulo e Liverpool foi o bandeirinha. Não vou me preocupar em escrever o nome dele, mas sorte do São Paulo que a final não teve arbitragem brasileira. Ou será que nossos árbitros tupiniquins teriam tido a coragem de apontar falta e impedimentos em três gols do Liverpool, como fez - corretamente - o bandeirinha de domingo. Ah, se o jogo tivesse sido apitado aqui! Se o jogo tivesse sido aqui, o mais provável é que o gol legítimo são-paulino, um lance difícil em que Mineiro se deslocou entre a defesa inglesa, tivesse sido anulado...

# Mineiro - que não é mineiro, mas gaúcho - sempre foi um jogador brilhante, embora pouco reconhecido pela mídia esportiva. Era um dos principais pilares do São Caetano, quando o time do Grande ABC se destacou no cenário nacional. Um jogador de força, mas também de habilidade, como ficou provado com o gol que marcou. Mereceu o gol do título e entrou para a história - não apenas do futebol do São Paulo - do esporte brasileiro.

# O título do São Paulo não deve ser analisado apenas em relação ao jogo de domingo. Até porque o Liverpool não era esse bicho-papão todo, com uma equipe bem inferior do que aquela que perdeu para o Flamengo o Mundial de 1981. A conquista são-paulina precisa ser entendida sob o aspecto de todo o ano de 2005. Em primeiro lugar, o time conquistou o Paulistão invicto, só sendo derrotado em um jogo, quando já estava com o caneco na mão. Vale lembrar que o torneio estadual paulista é o mais difícil do país. Em segundo lugar, venceu bem a Libertadores. Resolveu se poupar para o Brasileirão e se preocupou em manter um time forte, substituindo bem jogadores vendidos.

Nesse meio tempo, méritos também para Leão, o técnico que - ao chegar ao São Paulo - colocou a casa em ordem e conquistou o Paulistão. Mas Leão quis sair (e como deve lhe doer essa decisão hoje). E o São Paulo contratou um técnico experiente, que já tinha na bagagem um título da Libertadores pelo Cruzeiro, em 1997: Paulo Autuori. Foi a decisão certa, embora Autuori tenha estilo bem diferente do de Leão. A conquista são-paulina veio de planejamento que, mesmo às vezes metendo os pés pelas mãos, gerou o tri, para a inveja das torcidas dos demais times brasileiros.

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