Antônio Lemos Augusto, jornalista e advogado em Cuiabá-MT
Polêmicas à parte, a série A do Brasileirão certamente será lembrada pela empolgação. Obviamente, exceção para a torcida corinthiana, quem gosta de futebol torceu para que a decisão ficasse para a última rodada. Mas será difícil para o Inter tirar o caneco do Corinthians, pelos seguintes motivos:
1 - Mesmo que o Inter vença o Coritiba e o Corinthians perca para o Goiás, o time paulista leva ampla vantagem no saldo de gols, que seria - nesse caso - o critério de desempate. São cinco gols de diferença.
2 - O Inter não tem se portado como um time pegador, que tradicionalmente é. Jogou mal contra o Palmeiras e venceu ao final, apenas. Tem uma defesa fraca. Já havia jogado mal contra o Brasiliense, dentro de casa. Enfim, pode até ganhar do Coritiba, mas será difícil aplicar uma goleada.
3 - Goiás e Corinthians é jogo de resultado imprevisível. O Goiás chegou à terceira colocação do Brasileiro e conquistou vaga inédita para a Libertadores. Tem jogadores brilhantes em seu plantel: Tabata é um exemplo. Tem plenas condições de vencer o Corinthians, ainda mais dentro de Goiânia. Seu técnico, Geninho, talvez tenha sido o melhor treinador do campeonato. Porém, é particularmente difícil que, mesmo se vencer, consiga aplicar uma goleada, favorecendo o Internacional e acabando com a diferença de saldo de gols que os paulistas têm.
Enfim, que vença o bom futebol.
# Assisti ao jogo Corinthians e Ponte Preta. A Ponte jogou forte na marcação, mas não foi desleal em momento algum. Tinha consciência de ser inferior e portou-se na defesa, com marcação particular sobre Tevez, que não deixou o argentino em dia feliz. Bem marcado, pouco fez no jogo e ainda desperdiçou um pênalti. A arbitragem não atrapalhou, com poucas falhas: as mais importantes, um impedimento mal marcado que prejudicou o Corinthians e uma falta não vista pelo árbitro, que prejudicou a Ponte. Ao final, 3 a 1 por méritos do bom técnico Antônio Lopes, que mexeu bem na equipe corinthiana. Enfim, um jogo onde foi perceptível a diferença de se ter um técnico experiente no banco.
# O Galo caiu. Se, por um lado, é sempre lamentável a queda de um time tradicional, por outro o futebol prega peças. Times como Palmeiras, Fluminense e Botafogo caíram e puderam retornar à elite com outra reestruturação que, se ainda não é a ideal, está à frente do que havia antes do rebaixamento. E a torcida do Cruzeiro sente o mesmo gosto que torcedores do Corinthians, Internacional, Flamengo e Vasco sentiram quando seus principais adversários foram rebaixados, rivalidade que movimenta o futebol. Paysandu e Brasiliense vão, juntamente com o Atlético-MG, para a Segundona. A região Norte fica sem representantes na elite do futebol.
# João Leite, Luizinho, Toninho Cerezo, Reinaldo, Chicão, Paulo Isidoro... Quem diria!
# E quem imaginaria que Coritiba, Ponte Preta e São Caetano entrariam na última rodada lutando para não cair... A Ponte tenta não repetir o Criciúma, que liderou o Brasileiro série A e, no mesmo ano, foi rebaixado.
# Palmeiras e Fluminense jogam verdadeira decisão na última rodada pela última vaga na Libertadores. Fluminense, em queda livre, ainda tem o benefício do empate. Mas será difícil resistir à equipe do Leão.
# Além das disputas pelo título, pela última vaga na Libertadores e pela fuga do rebaixamento, há mais duas conquistas em jogo no torneio. Em primeiro lugar, não estão definidos todos os times que irão para a Sul Americana. O Fortaleza, com uma bela vitória sobre o São Paulo, chegou à lista dos classificados para o torneio continental. Mas, na última rodada, se perder, poderá ficar de fora. O mesmo recado serve para o Botafogo que, embora dentro dos classificados para a Sul Americana, não tem a vaga garantida. São Paulo, Juventude e Vasco sonham em puxar os tapetes de Fortaleza e Botafogo.
# A outra conquista em pendência no Brasileirão é a de maior artilheiro. Romário perdeu um pênalti, contra o Atlético-MG, e deixou de se igualar a Róbson na primeira colocação, com 21gols. Tevez, Rafael Sóbis (Inter) e Borges (Paraná), cada um com 19 gols, correm por fora. Ironia do destino é que Róbson pode ser o artilheiro, apesar do seu time ser rebaixado.
# Aliás, ser artilheiro de time rebaixado não é novidade neste ano. A primeira fase da Segundona acabou com o Vitória rebaixado, apesar de ter o artilheiro do torneio: Alecsandro, hoje no Cruzeiro.
# O Santos reencontrou a vitória, após a saída do técnico Nelsinho Baptista. Venceu por 2 a 1 o Botafogo, em um jogo que teve, como principal destaque, o árbitro reserva Romildo Corrêa. Citado nos escândalos de arbitragem, embora sem qualquer prova contra ele, retirou a camisa do uniforme no intervalo e, em jogo de cena, abandonou o campo em protesto contra a CBF.
# Aliás, a arbitragem brasileira nunca mais será a mesma após este torneio. Pelo menos é o que se espera...
# Grêmio e Santa Cruz voltam à Primeirona com méritos. Os dois times - pelo conjunto da obra inclusive - demonstraram que irão chegar à Primeira Divisão com chances de, continuando o trabalho deste ano, ao menos lutar por uma vaga na Sul Americana.
# Matéria do domingo, da Folha de SP, mostra bem o outro lado da glória: “Praticamente todos os clubes ameaçados de cair têm ex-corintianos em seus elencos ou na chefia de suas comissões técnicas.” O jornal faz a lista, com destaque para os campeões nacionais em 1999, João Carlos (Paysandu), Vampeta, Marcelinho (Brasiliense) e Edílson (São Caetano). Há também Amaral, campeão em 1998, que passou pelo Atlético-MG, entre outros menos conhecidos.
# Ponto positivo da rodada: O pênalti bem marcado contra o Palmeiras, a favor do Inter, em lance que - normalmente - a arbitragem faz vista grossa: o famoso agarra-agarra, empurra-empurra, trepa-trepa na área.
# Ponto negativo da rodada: O atraso do início do jogo Brasiliense e Figueirense. A rodada estava programada para começar toda no mesmo horário de forma a não favorecer ninguém. Mas um jeitinho aqui, outro ali, e Brasiliense e Figueirense deram início ao jogo com 15 minutos de atraso.
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